Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
A teia onde nós não caímos.

Todos nós, numa determinada fase da nossa vida, vimos documentários sobre a vida selvagem.

Ou porque era o programa que dava a seguir ao Buéréré, ou porque o Odisseia está antes da Sport TV, ou então porque o tempo de antena do PNR dava antes do telejornal, a verdade é que todos nós já vimos animais na televisão.

Eu não fujo à regra. No entanto, eu vejo documentários sobre a vida selvagem porque gosto! Aos sábados e domingos, ao meio-dia, enquanto faço alguma coisa na cozinha, nunca dispenso o belo do documentário na SIC, brilhantemente narrado à largos anos por Eduardo Rêgo.

Nesses documentários, muita coisa interessante se aprende sobre os animais que habitam este planeta. Hoje, porque até estou bem disposto, escolho um animal para vos falar: A aranha.

(Não, amigos, não estive a ver o Spider-Man...)

A aranha é assim uma coisa pequena, não tem asas e percebe de teias como ninguém.

E pensam vocês: "Oh Dias, essa descrição também assenta no Marques Mendes. Se ele não percebesse de teias, não estava na liderança do PSD!"

Está bem. Mas as aranhas são mesmo pequenas!

As aranhas percebem deste mundo. Elas enfiam-se em todos os buracos e, quando menos esperamos, lá está ela naquele canto obscuro da nossa casa, com a sua teia! Elas não discriminam: estão na nossa casa, na casa do vizinho, na casa do primo, na casa do Marcelo Rebelo de Sousa... Estão em todo o lado! São como as bandas dos Morangos com Açúcar quando lançam um CD qualquer: Estão em todo o lado!

Mas o ser vivo "aranha" tem imensas diferenças de nós, humanos.

Na raça humana, estou em crer que não existe um sexo dominante. Mulheres, homens, todos nós trabalhamos, todos nós comemos... Enfim, a nossa feliz igualdade!

Nas aranhas, não. As fêmeas é que percebem do assunto! (Não sei se isto ocorre em todas as espécies de aranha! Não quero cometer erros grosseiros...)

Sabiam que em algumas espécies de aranha, a fêmea mata o macho depois de estes praticarem o coito, sendo que o corpo do macho será depois comido pela fêmea? Sim, a fêmea só quer o macho para o levar para a cama uma vez!

Será que os machos não topam isto?

Será que nos bares das aranhas macho, onde aranhas fêmea fazem strip tease, tirando umas patas (Se têm oito patas, perder uma entre outra não há problema.), os machos nunca comentaram esta situação?

"Olha, o Parker andava ali a meter-se com a Jane do varão de palha... Ontem vi-os sair juntos e hoje ele já não está cá! O que é que terá acontecido?"

Será que os machos são assim tão ingénuos que não tenham reparado que todos os seus amigos que se gabaram de estar quase a ir para a cama com uma fêmea... Só se gabaram uma vez?

Eu não percebo, a sério. Mas também têm lógica: Nunca um macho sobreviveu a uma noite tórrida de amor com uma fêmea para ir ao bar avisar os amigos que o sexo aracnídeo é de morrer!

 

Mas, caros leitores, e se na raça humana isto também acontecesse? Ou seja, se depois de um homem e uma mulher se enrolarem na cama, a mulher matasse o homem, segundo as leis da natureza?

Bom, isso seria chato.

Mas haveria um lado positivo: Nunca teríamos tido Santana Lopes como Primeiro-Ministro.

A Cinha Jardim tinha dado cabo dele!


há tanta coisa gira para fazer neste mundo, mas o Dias optou por escrever isto pois não tinha nenhuma amiga com ele e encontrava-se: Na teia.
enquanto o Dias escreveu este artigo, apesar de pequenas, as suas orelhas ouviram isto: The Right Ons - Hey Yeah
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Domingo, 26 de Agosto de 2007
Os radares também são assunto quente.

Fernando Penim Redondo (FPR) comentou o meu artigo "Opiniões", onde comentei um artigo de opinião de João Miguel Tavares acerca dos radares de Lisboa.

Nesse artigo, FPR despediu-se dizendo que já conduz à 43 anos e que já fez cerca de um milhão de quilómetros pelo mundo inteiro.

Reparo, no entanto, que por passar tanto tempo a conduzir, não deve ter muito tempo para escrever... Digo isto porque o seu comentário não é uma resposta directa ao que escrevi, mas sim a cópia de um artigo que escreveu no seu blog (Clica aqui para veres o artigo.)

Isto demonstra que esta gente que só sabe defender de forma descontrolada a destruição dos radares de controlo da velocidade, em vez de debater as ideias dos outros de forma humana. Aposto que nem leu o meu artigo! Viu que o tema era "Radares de Lisboa" e pimba, toca a colar a cópia do artigo dele!

Mas não vou entrar por aí...

 

FPR abre o seu artigo/comentário com uma observação profunda:

"A Petição aproxima-se paulatinamente das 8.000 assinaturas e estamos em pleno Agosto. Só um “cego” não vê o significado que isso tem."

Bem visto, caro FPR! Mas repare: A 15 de Agosto de 2007 já tinham sido detectados 63.000 condutores em excesso de velocidade (Li estes dados no Correio da Manhã e está aqui a notícia, para todos os efeitos). Assim sendo, fazendo uma análise matemática, apenas 12,7% dos infractores assinaram a petição. "Só um "cego" não vê o significado que isso tem."

Por outro lado, vi há tempos na televisão que a sinistralidade nas estradas da capital diminuiu com a instalação dos radares. Caro FPR, "Só um "cego" não vê o significado que isso tem."

FPR continua o seu artigo:

"A Petição tem incomodado algumas pessoas. São os fundamentalistas do trânsito e pertencem a diferentes categorias."

Antes de mais, a petição não me incomoda. Ainda assim, o rótulo de "fundamentalista do trânsito" fica-me bem. Sinto-me bem com ele! Não há um tamanho assim mais pequeno para eu por na testa?

Mas FPR, no seu alto pedestal, decide dividir esses ignorantes "fundamentalistas do trânsito" em categorias, como se estivesse a falar de atletismo.

"- Os que foram afectadas por algum acidente e que, compreensivelmente, ficaram traumatizados. É pena que uma parte dessas pessoas pareça ter dirigido as suas energias não para resolver os problemas mas para castigar a sociedade."

Calma lá! Querem ver que quem teve um acidente não aprendeu que talvez esse acidente se deveu ao excesso de velocidade? Será que usar essa aprendizagem para apelar a uma condução responsável e assim evitar acidentes é castigar a sociedade? Defina-me "castigo", caro FPR.

"- Os que sonham com um mundo idílico onde só haveria peões e, talvez, bicicletas. Como se trata de uma utopia, que as pessoas crescidas não adoptam, tentam chegar ao mesmo resultado criando toda a espécie de empecilhos aos odiados automobilistas."

Impor uma velocidade máxima de circulação de veículos é, para FPR, criar um empecilho ao automobilista. Eu não acho. Penso que com isso estamos a regular a utilização de um espaço (a estrada) que é público. Sim, público. A estrada não pertence ao Sócrates, ao Cavaco ou ao senhor FPR! A estrada é de todos nós e todos nós temos o direito de a utilizar em segurança, sem sermos abalroados por outros condutores. Mas isto sou que, democraticamente, acho. O caro FPR deve ter outra opinião. Explique-a, já agora.

"- Os que têm da vida em sociedade uma visão burocrática e legalista. Essas pessoas têm dificuldade em perceber que há uma diferença entre a velocidade máxima legalmente permitida e a velocidade máxima para circular em segurança nas situações concretas do dia-a-dia. Que só esporádicamente a velocidade máxima estabelecida por lei pode ser usada, com razoabilidade, na vida prática."

Secalhar eu estou neste lote. É capaz de ser uma visão burocrática e legalista querer ter uma estrada segura para todos. Agora, caro FPR, eu sou relativamente novo (O senhor conduz à mais tempo que o dobro da minha idade!), mas estou convicto de uma coisa: o cálculo das velocidades máximas não deve ter sido uma coisa aleatória. Eu acredito que os limites de velocidade são os que nós, encartados, conhecemos porque pessoas acreditadas, com conhecimentos sobre mecânica ou sobre as capacidades intelectuais do ser humano (ao nível de tempos de reacção, perda de reflexos com o aumento da velocidade, etc...) concluiram que estes eram os limites máximos aceitáveis para uma convivência segura nas estradas.

"Como o objectivo é castigar a sociedade é preciso transformar cada cidadão num assassino disfarçado.A maneira mais fácil de o conseguir é estabelecer padrões de comportamento, por exemplo com os limites de velocidade, quase impossíveis de cumprir."

Castigar a sociedade? Castigo é ter de estar parado durante duas horas na Segunda Circular porque um "chico esperto" qualquer achou que o limite de 80 km/h era uma estupidez e que, ao ir à sua velocidade de segurança, teve um acidente. Ou, pior que isso, perder familiares por culpa de condutores irresponsáveis que não sabem cumprir limites de velocidade. Isso sim, é castigar a sociedade!

Caro FPR: Se for a http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal e vir bem, o nosso sistema político não é a anarquia. Como tal, estabelecer padrões de comportamento em situações como a condução, onde a vida dos cidadãos está sempre em jogo, não me parece uma forma de tornar cada cidadão num assassino.

"Mas os milhões de cidadãos que todos os dias desrespeitam os limites legais de velocidade não são, na sua esmagadora maioria, nem “street racers” nem irresponsáveis. São pessoas normais que trabalham; que precisam de chegar ao emprego a horas; que têm em casa, à espera, os velhos ou as crianças; que tentam chegar ao infantário antes que feche; que trabalharam demasiadas horas e já estiveram em demasiados engarrafamentos. Estes é que são os criminosos que se devem perseguir ?"

Eu também conduzo, ainda que há pouco tempo. Mas digo-lhe, caro FPR: também tenho a minha vida. Também tenho de chegar a horas ao comboio, também tenho casa, também tenho pessoas à minha espera em casa... Mas (não querendo dizer-lhe que sou "O Exemplo") digo-lhe que procuro sempre respeitar os limites de velocidade e costumo, curiosamente, chegar a horas.

O português é que é assim: o tempo é muito, pode ficar mais um bocadito na cama... Depois levanta-se e repara que secalhar está em cima da hora. Não há problema: encurta-se o tempo de viagem, indo a velocidades não permitidas, e tudo fica bem.

"Invocam irresponsavelmente as guerras civis mas omitem que os 850 mortos que ocorrem durante um ano nas estradas portugueses são um número atingido em questão de dias, por exemplo nos atentados do Iraque ou mesmo nos homicídios da Venezuela. Se isto não é manipulação..."

Não. Manipulação, caro FPR, é comparar as mortes consequentes de instabilidades políticas ou sociais noutros países com as mortes que ocorrem num espaço público, regulado, que são consequência do desrespeito das regras de circulação com as quais cada condutor se comprometeu ao tirar a carta de condução.

"A tal “guerra civil nas estradas” muitas vezes caracterizada como “de todos contra todos” induz a ideia de intencionalidade."

Ah, não. Eu passei a 176 km/h na Segunda Circular, mas foi sem querer... Não tinha qualquer intenção mesmo!

 

Depois desta análise, FPR apresenta-nos medidas alternativas para o combate à sinistralidade rodoviária.

"- Abandonar o catastrofismo e as abordagens emocionais e tratar do problema de acordo com a sua verdadeira dimensão."

Perdoe-me as consequências da leve formação no mundo da Matemática, mas "tratar o problema de acordo com a sua verdadeira dimensão" é analisar os números da sinistralidade e tirar conclusões! Porquê é que o FPR não faz isso?

"As fortunas que se têm gasto numa prevenção rodoviária mal perspectivada teriam, provavelmente, salvo muito mais vidas em campanhas de prevenção do cancro ou das doenças vasculares/cerebrais, que matam mais de 40.000 pessoas todos os anos."

Caro FPR, relativamente a isto, faço minhas as suas palavras: "Se isto não é manipulação..."

Depois, mais uma medida alternativa:

"- Adoptar uma política de pontuação individual dos condutores, que parece estar a resultar em Espanha, baseada na penalização das manobras perigosas e do consumo de álcool e drogas em vez de privilegiar o incumprimento dos limites abstractos de velocidade."

Aqui, eu concordo consigo até ao "em vez de privilegiar o incumprimento dos limites abstractos de velocidade."

"- Ouvir o que pensa a generalidade dos cidadãos em vez de os tratar como delinquentes.
Se os cidadãos são suficientemente responsáveis para eleger o Presidente e a Assembleia da República também são responsáveis nas questões do trânsito. Se assim não fosse teríamos que concluir que as leis do trânsito não são legitimas pois foram feitas pelos eleitos do povo.
"

Não quero por a sua experiência de vida em causa, mas já agora dê um pulinho a um dicionário de língua portuguesa e veja o significado da palavra "demagogia". Depois pense um pouco nesta sua proposta...

 

Conduzo à menos de um ano, ainda não devo ter chegado aos três mil quilómetros de estrada. Mas estou convicto que é cumprindo as regras de trânsito que as estradas se tornam seguras para todos nós.

Se tem uma opinião diferente, explique-a de forma coerente e responsável.


há tanta coisa gira para fazer neste mundo, mas o Dias optou por escrever isto pois não tinha nenhuma amiga com ele e encontrava-se: Mau condutor, secalhar.


A consequência do aquecimento global que nós temos de evitar!

O aquecimento global está aí. O gelo derrete lá para cima, o clima anda descontrolado, o Paulo Bento continua a atabalhoar as palavras. Com base nisto, é lógico que o aquecimento global já nos influencia de forma preponderante.

Não obstante, não podemos ser egocêntricos: Não é só a Humanidade que sofre com isto... Também há espécies em vias de extinção, as pragas de insectos vão invadir a Europa, o José Castelo Branco vai lançar um disco... Tudo isto faz-nos temer o futuro!

Mas a Humanidade, amiga como sempre, sabe como salvar os seus companheiros!

Na verdade, um dos problemas fulcrais do aquecimento global é este (Cliquem e vejam!).

Bem visto, sim senhor! Se há quem sofre com o aquecimento global, são os nossos cães!

Com as altas temperaturas, o solo aquece de tal forma que nos nossos cães podem sofrer desmesuradamente com isso, ao terem andar descalços em cima de um chão que em tudo se assemelha a brasas ardentes... (Calma, não é das miúdas da ilha da tmn que vos estou a falar!)

Sem mais delongas, estes norte-americanos pararam para pensar:

"Bom, vamos então diminuir as emissões de dióxido de carbono para ver se isto fica com melhor ambiente? Não. Vamos antes calçar os nossos cães."

É um gesto genial, que demonstra a gentileza que no outro lado do Atlântico abunda.

Ver um cão calçado é uma imagem fantástica. É de uma fineza única, apenas comparável aos fatinhos que Manuel Luís Goucha utiliza.

É impressão minha ou há crianças descalças em África? Mas não! O essencial mesmo é gastar quase 60 dólares para calçar os nossos canídeos! Se não o fizermos, os cães sofreram de forma injusta, pois quem causou o aquecimento global fomos nós e não eles. Se bem que ouvi dizer que, ao roerem o osso, estão a emitir dióxido de carbono para a atmosfera... Mas tudo bem.

Os senhores nesta notícia dizem que para sabermos se o chão está demasiado quente ou não para os nossos cães, o que temos de fazer é colocar a nossa palma da mão no chão durante 5 segundos. Depois disso, se acharmos que o chão está demasiado quente, então ele também o estará para o cão.

A pensar nisso, fui fazer esta medição na Ponte Vasco da Gama, às quatro da manhã.

Estou no hospital.

Tinham passado lá os cromos do street racing e aquilo chega para aquecer o alcatrão.

 

Descansem, é só uma queimatura de segundo grau.


há tanta coisa gira para fazer neste mundo, mas o Dias optou por escrever isto pois não tinha nenhuma amiga com ele e encontrava-se: Calçado.
enquanto o Dias escreveu este artigo, apesar de pequenas, as suas orelhas ouviram isto: Razorlight - In the Morning.


Sábado, 25 de Agosto de 2007
Acção - Reacção.

(Sim, é de doping que se vai voltar a falar.)

O ciclista "eu" voltou a comentar o meu último artigo. É o sinal da cordialidade e da boa formação que estes atletas têm. (E não, não estou a ser irónico.)

Mas vou-lhe pedir apenas um favor: Quem lê este blog (Estou em crer que pouca gente, mas ainda assim...) não o lê para ver histórias de doping. Por outro lado, eu interesso-me bastante pelo assunto (Ou melhor, por mitigar o assunto!) e não quero armar-me em cobardolas e dizer-lhe "Olhe, depois de este artigo, ponto final". Não. Caro "eu", a partir deste artigo, e caso a troca de ideias continue, eu vou passar a responder na zona de comentários. Mas não me calarei enquanto não chegarmos a um consenso. Um consenso que, juglo, irá satisfazer os dois. Mas se não vir artigos novos, dê um pulinho aos comentários deste artigo que eu passarei a responder por lá.

 

Agora sim, vamos à troca de ideias.

O caro ciclista, ao longo do seu comentário, faz algumas comparações com o futebol. É verdade, já pratiquei futebol nos escalões de formação (Ainda que, vá lá, jogasse mal. Há que dizê-lo!). Não obstante, isso não faz de mim um fanático de futebol, que coloca essa modalidade lá o púlpito da minha consideração e despreza todos os outros. Não. Quando eu digo que gosto de ciclismo, digo-o mesmo a sério! Como gosto de outros desportos bastante variados.... Às vezes dou por mim a ver curling na EuroSport e a vibrar com os lançamentos fantásticos da selecção canadiana!

Mas as suas comparações são justificadas: Fui eu quem começou com isso.

Eu gosto de ciclismo. Gosto de ver, gosto de saber umas coisas sobre a modalidade. Mas sem dúvida que, de nós os dois, o caro ciclista (Era aqui que eu punha o seu nome, percebe? A mim não me interessa saber quem é... Mas a redigir o discurso, dá jeito ter um nome para quem falar! E que tal um nome fictício? Um "Manel dos Santos", não?) saberá melhor o que se passa na modalidade.

Aquilo que eu deixo passar através de cartazes ou artigos de blog (Se vir bem, escrevi um artigo sobre a tramóia do Vinokourov antes de ir para estrada com o cartaz.) é apenas o meu sentimento como adepto da modalidade. Portanto, antes de "afiar a faca" e atacar-me, procure antes perceber que eu sou um adepto (O vosso público alvo!) e aquilo que eu vos mostro em cartazes ou artigos é a imagem que eu (e muitos outros) tenho da situação actual do ciclismo. Eu, se fosse desportista profissional, acho que trabalharia para duas coisas: ganhar e cativar adeptos. Portanto, se um adepto vos mostra indignação perante as histórias recentes do ciclismo e vocês lhe mandam àgua para cima, não estão a cativá-lo assim muito. Mas o meu fascínio pelo ciclismo não se afoga nessa àgua, felizmente.

É verdade, sim senhor: o ciclismo é a modalidade mais controlada. Não obstante, é também no ciclismo que o "pirata do doping" trabalha mais para fugir aos controlos. É um pouco o jogo do gato e do rato. Mas é um jogo potenciado pelo que o amigo ciclista escreveu: o excesso de exigências. No Tour temos 4 a 5 contagens de primeira categoria, todas bastante longas... Humanamente, aquilo é coisa difícil, de facto.

Ainda assim, eu não acredito que os senhores do controlo anti-dopagem tenham acordado um dia e pensado: "Olha, hoje vamos perseguir aqueles tipos que passam a vida a pedalar!". O que eu acho é que se o ciclismo é a modalidade mais controlada, é porque a uma dada altura a incidência dos controlos positivos se tornou de tal forma acentuada que o controlo teve de se tornar uma prática comum.

Há diferenças, sim, entre o tratamento de um controlo positivo no ciclismo ou noutros desportos (Como no futebol). Quanto a essa diferença, talvez tenha a ver com a tal incidência que, a dada altura, se acentuou no ciclismo. Mas, caro ciclista, sou-lhe sincero: eu não consigo descortinar um motivo óbvio para lhe explicar isso! E acredite que, como adepto, tanto me magoa ver o Vinokourov a ser expulso do Tour como ver o Nuno Assis a estar um ano sem jogar por causa do mesmo. Para mim, como adepto do desporto em geral, tanto me magoa ver casos de doping no ciclismo como no futebol. Porque é que não vou para os estádios com o meu cartaz? Porque para isso tinha de pagar um bilhete... E porque, lá está: a incidência de casos de doping na modalidade em questão (o futebol), para o adepto comum, não é tão acentuada como no ciclismo. (Posso estar errado, caro ciclista. Mas, como lhe digo, eu sou um mero adepto...)

Quanto ao cartaz propriamente dito, ele encontra-se naturalmente recheado de exagero. É notório que a pergunta "Então e sem doping, já cá estavam?" é bastante mais pesada do que uma frase banal do tipo "Doping no ciclismo, não!". A explicação desse exagero não a farei neste momento, porque não me parece necessário (Julgo que o caro ciclista consegue compreender o uso do exagero como medida para chamar mesmo a atenção dos ciclistas/directores de equipa para a indignação do adepto.)

Sim, eu sei que os ciclistas que andam de amarelo são controlados todos os dias. Eu enunciei o Cândido (Excelente ciclista, diga-se.) apenas para lhe dizer que as pessoas que se juntam à chegada de uma etapa talvez não sejam adeptas. Muitas daquelas pessoas não percebem que o ciclismo é um desporto de equipa. Secalhar, muitas daquelas pessoas não sabem quem é o Lance Armstrong! Mas estão ali apenas para ver o Cândido ganhar, só isso lhes interessa. O que eu quis dizer é que as pessoas que estão à beira da estrada (Repare que não lhes chamo adeptos...) talvez não se preocupem tanto com a modalidade quanto eu. Talvez por isso não se vejam mais cartazes à beira da estrada...

Agora, caro ciclista, eu tenho de transcrever uma frase sua para este artigo:

"Tu ficaste revoltado pelos casos no tour, no entanto devias ficar contente, porque no fim de contas eles foram "apanhados", não era isso que querias?"

Não. Realmente não percebeu a minha ideia. O que eu queria era que os ciclistas, sendo controlados, ganhassem de forma limpa. O caso "Vinokourov" foi a gota de àgua na minha cabeça. Por um lado, fico contente por tirarem um batoteiro da estrada. Mas ficaria mesmo contente se esse batoteiro não estivesse na estrada. E para isso é necessário consciencializar os praticantes da modalidade. É preciso dar-lhes a entender que não são só os tipos do controlo anti-doping que querem a modalidade limpa. Nós, adeptos, também queremos!

É por isso que eu levo o cartaz para a estrada. Apenas porque quero ver os ciclistas honestos a ganhar, e não os batoteiros.




Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007
Será mesmo um ciclista?

Quando me preparava para abandonar o tema "doping no ciclismo", ao agradecer ao André Santos pela companhia de guerra, heis que surge um comentário a esse artigo de despedida.

 

"As coisas k se acham na net... então eras tu o "chico esperto" que estava á beira da estrada com o cartaz! só tenho pena de já não ir a tempo de te pregar com a bike em cima até ficares bem marcado."

Isto dito assim até parece que é um ciclista que participou na Volta a Portugal do Futuro, passando por Vila de Rei e vendo o meu cartaz!

E chama-me de "chico esperto"! Assim sendo, vou mudar o nome deste blog para "há Espertos assim..."

Com esta entrada, este ciclista, quem nem se dignou a deixar um e-mail para eu lhe responder ou a apresentar-se pelo nome, apelidando-se de "eu", mostra que está chateado comigo. Calha bem! Eu também estou chateado com o ciclismo!

"Então tu achas-te no direito de julgar assim 110 pessoas diferentes ?? "

Então e o senhor acha-se no direito de, ao passar e atirar àgua a um adepto da sua modalidade, por em causa a sua liberdade de expressão?

"para pedires isso aos ciclistas terias de ir também para os estádios a dizer para correrem com a bola nos pés limpos também, ou o doping só existe no ciclismo? Por acaso até é a modalidade mais controlada de sempre e que mais medidas toma na luta contra o flagelo do doping."

A diferença é que nos outros desportos, a tendência é que o doping seja usado por atletas de escalões inferiores, para poderem chegar a um patamar superior... Uns "Nuno Assis", digamos... No ciclismo, falamos de ciclistas preponderantes para a história do ciclismo! Sim, uns tais "Vinokourov"!

Mas caro "eu", deixe-me fazer-lhe uma comparação: Já ouviu falar em casos de racismo no futebol português? No entanto, em Espanha o racismo é o prato do dia naqueles estádios! O problema encontra-se (não só, mas também) em Espanha, e no entanto esse problema é lembrado em imensas competições mundiais, com os jogadores a entrarem em campo com as t-shirts do "Todos Diferentes Todos Iguais" e afins...

"É óbvio que não gostámos, ainda pra mais sendo um escalão de formação, tal como tu não gostarás que eu te julgue como um parveco que gosta de chamar a atenção. Ninguem mais que a maioria dos ciclistas a querer um desporto limpo. O meu único incómodo pelo cartaz é a má imagem que passa do ciclismo, se não formos nós a defende-la de parvecos como tu quem o fará ?"

É claro que é um escalão de formação! Aposto que as histórias que se ouvem em França não existem nesta competição! (Mas, sou-lhe sincero: também não acredito na inocência de todos os 110 ciclistas que passaram ao meu lado.) O que eu fiz tratou-se de dar a entender a quem está na modalidade o pensamento do adepto. Isso é crime? Isso é ser "um parveco que gosta de chamar a atenção"? Eu não acho. Acho que é comunicação. O problema é que muitos adeptos acham o mesmo que eu mas ignoram isso! Desde que o Cândido ganhe o sprint, o resto não interessa...

Mas já agora... Se está mesmo preocupado com a má imagem do ciclismo, acha que a defende se atirar àgua a todos os que vos alertam para essa má imagem? Eu não acho. Eu acho que, mandando àgua, vocês querem apenas calar as vozes que vos criticam. Mas com isso: estão a apagar o problema ou a apagar quem vê o problema? Essa é uma forma bastante salazarista de tratar o assunto, mas esteja à vontade.

"Quer acredites ou não ainda há quem abdique de muita coisa e que se dedique de maneira séria para estar ao mais alto nível! E se és assim tão revolucionário há praí muita coisa a que te podias dedicar, mas antes informa-te para saberes do que falas..."

Eu acredito nisso. E é por isso que eu vou para a beira da estrada com cartazes. Porque eu quero ver em França quem abdicou e se dedicou de maneira séria à modalidade e não quem tem aquele amigo no laboratório e lhe orienta as transfusões de sangue.

E não, não sou assim tão revolucionário. Compreendo, no entanto, que o senhor me aconselhe a informar-me antes para saber do que falo. Porque, seja sincero comigo: Há muitas conversas entre directores e ciclistas, muitas noites passadas fora da tenda, que nem eu nem os outros adeptos sabemos, não há?


há tanta coisa gira para fazer neste mundo, mas o Dias optou por escrever isto pois não tinha nenhuma amiga com ele e encontrava-se: Dopado.
enquanto o Dias escreveu este artigo, apesar de pequenas, as suas orelhas ouviram isto: Plaza - On Radio


'sussure alguma coisa ao ouvido do Dias:

'se quer saber onde raio anda o tal artigo que ouviu falar, procure aqui:
 
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