Quinta-feira, 27 de Março de 2008
Depois disto, eles hão-de dizer que quem precisa de psiquiatra sou eu.

Geralmente, tenho como cuidado especial respeitar as pessoas que trabalham.

E respeito porque sinto que quem trabalha não merece ser vítima da piada fácil e rápida.

Porque quem trabalha, no fundo, trabalha e ponto final. Não deve ser gozada.

Daí que goste de achincalhar o nosso Ministro da Economia.

(Não quero dizer que ele não trabalhe... Mas se ele trabalhar a escrever os seus discursos,então está a trabalhar em prol da comédia.)

 

No entanto, há uma área profissional que me intriga na sua essência: a área da psiquiatria.

Não pensem que eu acho os psiquiatras uns inúteis à sociedade.

Eu não acho. Antes pelo contrário, tenho uma certeza inabalável quanto a isto!

 

Acalmem-se, caros leitores, porque eu não tenho por hábito afirmar coisas sem qualquer fundamento. Passo a explicar...

A meu ver, as pessoas úteis à sociedade podem-no ser de diversas formas: ou produzindo algo palpável e que os outros cidadãos usem; ou desempenhando papéis de gestão e coordenação de pessoas e bens, tendo como objectivo a melhoria da qualidade de vida; ou então descobrindo coisas novas, inovadoras!

(Há, obviamente, mais classes de pessoas úteis à sociedade... Não obstante, por muito que procurem, em nenhuma delas se encaixa o psiquiatra.)

 

Ora, já repararam bem no que o psiquiatra faz?

Eu respondo: Nada.

Ele ouve, tudo bem. Ele compreende, sim senhor. Ele debruça-se sobre os problemas, não haja dúvida.

Mas no final, a resposta é sempre a mesma:

"A culpa de tal comportamento é do meio em que essa pessoa se encontra inserida, e não propriamente dela. Ela é o espelho do meio onde nasceu, e não pode ser culpabilizada por isso."

Se é para dar sempre a mesma resposta, dêem-me o diploma e eu vou para a SIC debater o problema da violência nas escolas!

 

E esta resposta, não duvidem, é a que eles dão a todos os problemas. Todos.

Então e Sócrates, que nasceu num meio tão honesto e trabalhador... Como é que explicam o que ele alegadamente é agora?

(Nada como usar um "alegadamente" de vez em quando para jogar à defesa...)

 

Os psiquiatras acabam sempre a dizer o mesmo!

"Este senhor é um serial killer... Mas a culpa não é dele! Ele teve uma infância difícil e triste, coitado... Temos que o apoiar e integrar na sociedade!"

"Este jovem assalta estudantes à saída da sua faculdade... Mas coitado, ele vive num meio muito complicado! Temos que o integrar na sociedade..."

"Esta menina bateu na professora porque ela lhe tirou o telemóvel! Mas, coitada, é a educação que teve... Temos que a apoiar e integrar na sociedade!"

 

Eu não costumo acordar com vontade de dizer mal de ninguém. E hoje, por sinal, cumpri o que habitualmente se verifica. No entanto, ao ver o debate no Jornal da Noite da SIC sobre o caso da menina, da professora e do telemóvel (Há alguém que não saiba do que estou a falar?), fiquei com este bichinho nas entranhas.

Não quero culpar José Gameiro, o psiquiatra que estava neste debate.

Não. A culpa não é dele. É do meio onde ele cresceu e, especialmente, o meio onde ele se formou. Onde ele aprendeu, no fundo, a ser psiquiatra.

 

Peço desculpa, mas... Se o país fosse gerido por psiquiatras, as prisões estariam vazias e os criminosos deste país passavam as tardes no sofá da TVI, a desabafar com a Júlia Pinheiro!

É mesmo esta a ideia, caros psiquiatras?

 

Eu compreendo a história do meio onde os criminosos/marginais vivem...

Mas...

Só por isso, ficam desculpados de todas as coisas más que fazem por aí?

 

Bolas, porque é que eu não nasci no Casal Ventoso... Assim podia assaltar carros à vontade! Ou, pelo menos, o carro de José Gameiro. Ele compreenderia.

Malvada boa educação, caramba.


há tanta coisa gira para fazer neste mundo, mas o Dias optou por escrever isto pois não tinha nenhuma amiga com ele e encontrava-se: inútil, tal como a psiquiatria
enquanto o Dias escreveu este artigo, apesar de pequenas, as suas orelhas ouviram isto: Editors - The Racing Rats


já foram feitos 4 comentários. que coisa pujante!:
De Liliana a 31 de Março de 2008 às 06:06
Hoje tive vontade de reler coisas que escrevi há algum tempo atrás e deparei-me com um comentário teu ao meu blog, já o tinha lido anteriormente , mas desta vez foi apenas recordar... Então por curiosidade quis saber como estavas e se continuavas com a tua "mania" de expor as coisas interpretadas pelas tuas lentes culturais, ou melhor só tuas... Não te deves lembrar de mim... Sou a Liliana uma menina que um dia decidiu publicar num blog (Momentos de Reflexão, diz-te alguma coisa?) alguns dos seus poemas de forma a comunicar com os outros o que se estava a passar. Porque tal como tu, ela não gosta de silêncio". Queria comentar o teu mais recente artigo porque era o mais recente, mas não resisti a comunicar este, visto que me toca de alguma forma, não por ser Psiquiatra , mas apenas para dizer que se as profissões existem é porque têm algum fundamento! Há quem utilize a formação académica que tem para transmitir uma imagem má (segundo a minha opinião) de determinadas profissões, mas isso não é só na Psiquiatria ou Psicologia, e é mais sobre esta ultima que poderei falar, porque poderei falar um pouco por conhecimento de causa! Não quer dizer que todos os profissionais pensem ou considerem que pelo facto de ter pertencido a um contexto que supostamente seria desfavorável para o seu desenvolvimento que se torne marginal e também não é por viver num contexto promissor que será um grande Homem no futuro (há muitos crimes de colarinho branco - crimes por pessoas que não se encontram em classes desfavoráveis, crimes de grandes empresários, de desvios de dinheiros). Acho que em qualquer profissão temos que ter consciência de que aquilo que fazemos poderá influenciar os outros, principalmente aquilo que poderá influenciar de forma negativa e moderar aquilo que dizemos ou a exposição que poderemos fazer, para o bem comum! Acho que já escrevi demais, mas não resisti. Encontro-me actualmente distante de casa e decidi por incentivo de umas amigas criar um novo blog para retratar um pouco da minha experiencia noutro país. O blog é: www.sonhocomandaavida.blogs.sapo.pt . (Tal como tu fizeste uma introdução para não interpretar as tuas palavras erradamente, aqui fiz eu o mesmo!). Beijinhos, Liliana.


De delta_unit a 31 de Março de 2008 às 15:09
Olá Liliana!
Ora, analisando o que escreveste:
"Há quem utilize a formação académica que tem para transmitir uma imagem má (segundo a minha opinião) de determinadas profissões."
Convém aqui bradar bem alto um facto: actualmente sou apenas um reles português com o ensino secundário feito, independentemente do curso que frequento. Enquanto não o terminar, não tenho formação académica para transmitir imagens más sobre determinadas profissões. Até porque isso quereria dizer que as profissões são como um campeonato: há as profissões de topo e as profissões de baixo nível. Eu não acho isso. Mas...

"Acho que em qualquer profissão temos que ter consciência de que aquilo que fazemos poderá influenciar os outros, principalmente aquilo que poderá influenciar de forma negativa e moderar aquilo que dizemos ou a exposição que poderemos fazer, para o bem comum!"
Eu tenho outro ponto de vista (se calhar é só meu): em qualquer momento da nossa vida devemos ser sinceros e expressar o que realmente achamos. No entanto, é na forma de expressão que as coisas podem correr mal. Porque nem sempre dá para compreender completamente o que a outra pessoa diz.
Ou seja: agradeço o teu comentário, mas atendendo aquilo que eu acho e à forma de expressão que tenho delineada para este blog, não retiro nada do que disse. Antes pelo contrário, se for preciso vou à guerra com os meus parágrafos!


De ZÉ DA BURRA O ALENTEJANO a 31 de Março de 2008 às 09:48
A violência existe nas escolas porque falta a autoridade e o castigo que seria devido por mau comportamento, indisciplina e até mesmo delinquência.

Como não se pode aplicar quaisquer castigos físicos, porque no mínimo provocam traumas psicológicos, assim, na falta de outros castigos eficazes, resta a impunidade que serve de incentivo para que cresçam os comportamentos anormais nas escolas e fora delas. Eu, no meu tempo de escola fui castigado algumas vezes, mas nunca por mau comportamento, com algumas palmadas e não fiquei traumatizado por isso, nem conheço quem tenha ficado. Pelo contrário, acho que aqueles castigos foram úteis e me levaram a fazer os “trabalhos de casa”, que de outra forma ficariam sempre esquecidos pela brincadeira com os outros rapazes. Os castigos físicos eram bem tolerados pelos pais de todas as crianças e não consta que fossem piores pais do que os actuais.

Os castigos físicos são hoje todos condenáveis, mas, por vezes, são os únicos que têm algum efeito e são muito úteis até certa idade. É claro que só defendo umas palmadas no rabo, na mão ou umas réguadas e só até cerca dos 10, 12 anos de idade. Também não se trata de murros, pontapés, pauladas, chicotadas... De qualquer modo, a partir destas idades são inviáveis quaisquer castigos físicos sobre os jovens, que, em caso de necessidade, deveriam ser encaminhados para "Casas de Correcção" ou lá como lhes queiram chamar (Foi assim no passado e poderá ser no futuro). Estes estabelecimentos devem incutir aos jovens aí internados as regras morais de conduta e hábitos de trabalho; ter autoridade para castigar os desvios que venham aí a ocorrer, fazendo sentir aos jovens aí internados que estão a cumprir um castigo: Poderá ser normal o levantarem-se e deitarem-se a uma hora certa e tratarem eles próprios das suas necessidades pessoais, como fazerem a cama e tratarem das suas roupas, além de outras tarefas. É claro que as actividades escolares e de preparação para uma vida profissional seriam também incluídas. As actividades de lazer devem ser permitidas só em dias definidos, mas podendo ser canceladas em caso de castigo.

Pondo de parte os castigos físicos, que castigos aplicar aos alunos? Ficam de castigo numa sala? Não poderá isso ser considerado violência psicológica? e quando os visados se aperceberem de que nada lhes acontece se recusarem o castigo é isso mesmo que vão fazer: recusam o castigo. E depois? São multados? Quem paga as multas? Pagam-nas os alunos ou os pais? E se não pagarem? E se não tiverem meios para isso? Qual é o castigo alternativo? Ficam impunes? Expulsam-se da sala de aula ou da escola? Não serve de nada, apenas se transfere o problema para o exterior da sala de aula ou da escola. Esses jovens irão dar azo à sua liberdade doentia noutro lugar.

Algo deve mudar nas escolas por forma a castigar os desvios de comportamento dos jovens, senão estamos, sem o saber, a criar pequenos “monstros” que nunca se habituarão a cumprir regras sociais, que serão uns inúteis e que viverão sempre à custa do trabalho alheio porque é mais fácil.

A maioria das crianças e jovens não é delinquente e pode ser corrigida de qualquer desvio através de uma simples conversa, mas basta um "rebelde" para boicotar uma aula e para arrastar consigo outros mais pacatos que não levantariam qualquer problema. Os colegas mais humildes são as primeiras vítimas e a escola não tem hoje maneira de as proteger.

Mas todos os castigos físicos são por ora todos condenados pelas nações ocidentais, pela EU e pelo nosso país. Assim, as mudanças terão que ocorrer primeiro em países como os EUA, UK, França..., que também sentem o problema e a seu tempo se aperceberão da necessidade da reposição de alguns castigos físicos. Portugal, nisto, como noutras matérias seguirá mais tarde atrás. Os pais irão então aceitar e compreender esta necessidade para a protecção até dos seus próprios filhos que são as primeiras vítimas dos outros poucos jovens com procedimentos anormais.

Há quem diga que tudo se resolve se os pais derem educação aos filhos. Pergunto: e quando os próprios pais não a têm, como podem ministrá-la aos filhos?



De Liliana a 1 de Abril de 2008 às 05:00
Olá! Tal como imaginava, não entendeste o meu ponto de vista... lol ... Mas admito que não me expliquei da melhor forma! Nem sempre a formação académica diz alguma coisa das pessoas! Há quem tenha Dr. antes do nome e de cultura não tem nada, mas isso é outras história!!! Eu concordei com parte do que escreveste (não deu para perceber, pois não? lol ), só quis dizer também que os maus profissionais existem em todas as profissões, e que não é exclusivo da Psiquiatria... De qualquer forma... Ah! Não quero que mudes aquilo em que acreditas, era apenas um comentário! E se formos diferentes ainda bem! Os iguais são chatos! lol . Beijinhos, Liliana.


podia ficar parado, mas na verdade não tenho muito que fazer. vou comentar isto então.

'sussure alguma coisa ao ouvido do Dias:

'se quer saber onde raio anda o tal artigo que ouviu falar, procure aqui:
 
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'apesar de frequentarem blogs muito maus, o Dias sugere-vos estes:
'coisas muito mal escritas, mas bastante recentes

' Sem título.

' E se eu não tivesse tempo...

' O nome "Vigor" pode mesmo...

' O fim das bolachas Maria.

' Se está farto de mulheres...

' Adorar vacas pode, afinal...

' Eles não gostam de nós.

' Não leia isto para bebés.

' Levante o pé.

' Contem-me uma melhor.

' Alto e pára o baile!

' Um casamento garante-te n...

' Já que a Bolsa não dá nad...

' Um dia não me lembrarei d...

' "Olha, queres uma pastilh...

' Uma Sueca em vez de Solit...

' É tudo uma questão de tem...

' Caros Leitores

' Isto desconcentra os deus...

' Vai um copo?

'porque um blog com um arquivo é sempre uma coisa muito gira
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