Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Para além de artigos parvos sobre coisas sérias, também escrevo artigos sérios sobre ideias parvas.

(Se o estimado leitor não é de Vila de Rei, sugiro-lhe que não leia este artigo. Enquanto não tiver um blog para crítica política, vou ter de usar este, onde o objectivo não é, de longe, ganhar eleições.)

 

Hoje deparei por mim a procurar no Youtube por vídeos de Vila de Rei.

Porque é que o fiz?

Porque, dizem, as coisas ficam mais nobres quando vistas através da objectiva.

 

Procuro então pelo nome da minha terra natal no Youtube e opto por organizar os resultados da pesquisa pelo número de visualizações. O resultado da pesquisa, se a tecnologia não me intrujar, estará aqui.

Nos quatro primeiros lugares, três são relativos a uma festa de trance chamada "Magic Gardens".

O pódio só não é completamente entregue ao "Magic Gardens" porque no segundo lugar intromete-se um Fernando Alvim sempre cómico, ainda para mais num estado de nudez parcial. (Todos sabemos que a nudez sempre fez sucesso na internet.)

 

Tomo então um pensativo Kinder Maxi. (Infelizmente, ainda não esqueci Fernando Pessoa.)

Uma festa de trance em Vila de Rei, pacata terra no centro de Portugal.

Para quem?

Bem vistas as coisas, Vila de Rei tem menos de 3000 habitantes, sendo a grande maioria idosa, e onde o potencial público alvo, por muito que aprecie o tunning, não deve ter grandes hábitos de escuta de música trance.

 

Mas... Não está Vila de Rei a entregar-se à desertificação?

Ah, então é isso! O "Magic Gardens" tem o apoio da Câmara Municipal de Vila de Rei com o intuito de, precisamente, atrair pessoas em idade juvenil para o concelho mais central do país.

 

Surpreender-se-iam os pupilos de Irene Barata se eu lhes dissesse que a juventude não é toda igual.

Espanto! Admiração!

Mas é verdade, amigos. Nem toda a juventude é igual...

E, portanto, quando pensamos atrair a juventude através de um evento, convém ter em consideração que tipo de juventude é que esse evento vai atrair.

(A leitura e compreensão da última frase pode não ser fácil. Em caso de dúvida ou persistência dos sintomas, aconselha-lhe o e-mail de contacto na coluna à direita.)

 

Quando o evento "Magic Gardens" foi anunciado, há quase um ano, decidi perder algum do meu tempo a procurar informação sobre o que seria.

Lembro-me, por exemplo, de ver o flyer do evento. (Dêem uma espreitadela aqui.)

 

Foi esse o meu momento de espanto.

"Querem ver que uma das entidades organizadoras se chama "The Art of Joint", e tem como logótipo a seguinte imagem?"

 

 

Mas que planta verde é aquela ali ao meio?

Querem ver que... Não!

Então a Câmara Municipal de Vila de Rei anda a apoiar eventos onde o consumo de canabináceas é o mote de reunião?

 

Indubitavelmente, esta não deve ter sido uma decisão muito pensada lá para os lados da Praça Mattos e Silva Neves.

O mais engraçado é que no fim-de-semana passado, voltou a acontecer um evento de igual cariz, no mesmo local.

O cartaz, consultem-no aqui. E verifiquem o carimbo do município vilarregense.

 

Todos nós sabemos, pelo debate generalizado na sociedade, que um erro em administração pública é grave, dado que mexe com o dinheirinho de todos nós.

Agora... O mesmo erro, duas vezes? O que é isso?

 

Pessoalmente, eu acreditaria nas festas de trance de Vila de Rei se fosse padeiro.

Porque se fosse padeiro, ainda fazia comprimidos de farinha e ia vendê-los para o evento, dizendo que eram de LSD.

 

Não sendo padeiro, reconheço que este evento não tem razão de existência, ainda para mais num dos locais com mais potencial turístico do concelho.

Mas também... Do grupo de pessoas que marca um evento de música Rock, claramente com um público alvo entre os 15 e os 35 anos, no mesmo dia em que os Da Weasel actuam no concelho ao lado, não se pode esperar decisões muito inteligentes sob o ponto de vista estratégico.

 

E acabo o Kinder Maxi.


há tanta coisa gira para fazer neste mundo, mas o Dias optou por escrever isto pois não tinha nenhuma amiga com ele e encontrava-se: em transe.
enquanto o Dias escreveu este artigo, apesar de pequenas, as suas orelhas ouviram isto: Sigur Rós - Gobbledigook


já foram feitos 8 comentários. que coisa pujante!:
De Paulo Cesar a 11 de Julho de 2008 às 15:59
Considero que antes de criticar da maneira como fazes deverias solicitar algumas informações relativas a eeses assuntos.... Porque muitas vezes as coisas não são como nós pensamos, por isso poderias sempre ter solicitados junto dos serviços da camara alguns esclarecimentos, não?


De delta_unit a 11 de Julho de 2008 às 17:06
Encontro a Câmara Municipal de Vila de Rei anunciada como apoiante de um evento onde existem zonas próprias para consumo de canabináceas e afins.
Mesmo que o apoio tivesse sido apenas a autorização para a realização do evento, os meus princípios morais (Moralidade? Não foi disto que Paulo Rangel andou a falar ontem?) obrigam-me a expressar a minha opinião.
Mas a minha opinião não é nada, certo?
Afinal, apresento-me como "Dias" e não como "Sousa Tavares".


De Paulo Cesar a 11 de Julho de 2008 às 16:03
Já agora... sempre podias colocar no blog fotografias mais actuais da tua terra...


De delta_unit a 11 de Julho de 2008 às 17:00
A proposta de fotografia vem do blog de Nuno Morais Sarmento.


De Paulo Cesar a 14 de Julho de 2008 às 10:23
Claro que a tua opinião conta... alias a opinião de cada um conta... mas por te considerar uma pessoa inteligente penso (tb considero ter direito de opinião) que deverias fundamentar a tua com dados concretos... ate pq a CM nunca apoiaria o consumo de substancias como as descritas por ti.

Em relação à fotografia, não é por ela estar num blog do Morais Sarmento, ou do Preidente da Repúblia ou do Primeiro Ministro que se torna uma fotografia dignificante da tua terra, pois n?


De delta_unit a 14 de Julho de 2008 às 13:43
É óbvio que a CMVR nunca apoiaria o consumo de canabináceas. (Estivéssemos nós num município do Bloco de Esquerda e talvez a frase anterior não fizesse sentido. E aí o meu discurso seria irascível.)
Aliás, é com base nisso que eu escrevi este artigo!
Porque se a CMVR apoiasse tal consumo, estaríamos a debater questões ideológicas de fundo, para as quais o tipo de aproximação deve ser ligeiramente diferente.

Estou em querer que a CMVR não quer, de forma alguma, apoiar o consumo de canabináceas. Mas a verdade é que acabou por apoiar (ou, pelo menos, aceitar) a organização de um evento onde já se sabia que era isso que iria acontecer.
Mas a primeira vez ainda escapou, até porque nem todos temos a curiosidade de visitar os sites das entidades organizadoras.
Agora... Uma segunda vez?

Parecendo que não, para além do Penedo Furado estar claramente entregue ao abandono (O que interessa no Penedo Furado não é um café com esplanada. São as cascatas e os caminhos pedestres, e ambos sabemos como aquilo está e como podia estar), eventos como este, a existirem com frequência, podem afastar as habituais pessoas que ao local se deslocam.


Quanto à fotografia: a minha visão pessoal de Vila de Rei, enquanto povoação, faz-me achá-la digna em qualquer momento da sua história.
Decidi usar a fotografia porque tem tonalidades interessantes (o azul do céu, das cornijas, das pilastras e do soco da Igreja até que ficam bem com o azul do blog...) e porque, reduzida ao tamanho que normalmente uso nos artigos, ficava perceptível.
Vir do blog de Nuno Morais Sarmento acabou por ser uma (agradável) coincidência.


De Paulo Cesar a 14 de Julho de 2008 às 15:20
Mais uma vez falas, e criticas ( e ainda bem que o fazes), pena é que seja sem conhecimento de causa... Pois é obvio que não vais ao Penedo Furado a alguns meses, pois então ter-te-ias apercebido da valorização que foi feita em termos de consolidação e limpeza de caminhos, de gradeamentos, escadas, etc...

Ja disse que te considero uma pessoa inteligente... só pecas por muitas vezes não colher toda a informação pertinente....

Mas afinal.... todos vamos aprendendo....


De delta_unit a 14 de Julho de 2008 às 15:31
É verdade, já não vou ao Penedo Furado há algum tempo. Mas irei, concerteza, logo que esteja de férias. E depois, se achar pertinente, poderei contactar os serviços camarários para expressar eventuais opiniões. Quiçá, congratular! Até porque já tinha falado por e-mail há um ou dois anos convosco acerca do caso do Penedo Furado...

Não me parece, no entanto, que fosse esse (aproveitamento turístico do Penedo Furado) o tema central deste artigo e consequente conversa.
E não me apetece cair no jogo fácil das expressões populares, dizendo que "quem cala consente"...


podia ficar parado, mas na verdade não tenho muito que fazer. vou comentar isto então.

'sussure alguma coisa ao ouvido do Dias:

'se quer saber onde raio anda o tal artigo que ouviu falar, procure aqui:
 
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'apesar de frequentarem blogs muito maus, o Dias sugere-vos estes:
'coisas muito mal escritas, mas bastante recentes

' Sem título.

' E se eu não tivesse tempo...

' O nome "Vigor" pode mesmo...

' O fim das bolachas Maria.

' Se está farto de mulheres...

' Adorar vacas pode, afinal...

' Eles não gostam de nós.

' Não leia isto para bebés.

' Levante o pé.

' Contem-me uma melhor.

' Alto e pára o baile!

' Um casamento garante-te n...

' Já que a Bolsa não dá nad...

' Um dia não me lembrarei d...

' "Olha, queres uma pastilh...

' Uma Sueca em vez de Solit...

' É tudo uma questão de tem...

' Caros Leitores

' Isto desconcentra os deus...

' Vai um copo?

'porque um blog com um arquivo é sempre uma coisa muito gira
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