"É como andar de bicicleta."
Uma das expressões que mais gosto na nossa cultura é a que defende que andar de bicicleta nunca se esquece.
"Então, pá? Isso é como andar de bicicleta: nunca se esquece!"
Quem é que disse que nunca ninguém se esquece de como se anda de bicicleta?
Venha de lá esse pensador que temos de ter uma conversa longa!
Pensem em José Azevedo: O homem já acabou o Tour de France em 5º lugar.
Mas não conseguiu, três anos depois, ganhar a Volta a Portugal.
Acham mesmo que ele não se esqueceu de como se anda de bicicleta?
Mas andar de bicicleta é giro. E devia estar mais na moda.
É uma ideia peregrina (não que esta vá para Fátima a pé), e com a recente escalada do preço do petróleo, o assunto voltou à tona: Porque é que na cidade não se anda mais de bicicleta?
Na verdade, é só vantagens: Não se gasta dinheiro em combustível e não se perde tempo em filas de trânsito.
Para além da manutenção da forma. Se a Valentina Torres fosse de bicicleta para os estúdios da SIC, não estaria tão balofa.
Eu não ando de bicicleta porque moro próximo do meu local de estudo. Tão próximo que vou a pé.
Mas se morasse um pouquinho mais longe, naquele limiar que já roça o incómodo em ir a pé e, ao mesmo tempo, ainda é um desperdício comprar o passe do Metro... Será que ia de bicicleta?
Ia, pois!
Se até o Armstrong, com apenas um testículo, conseguiu ganhar o Tour 7 vezes seguidas, porque é que eu, munido de duas gónadas, não conseguiria fazer uns quilómetros por dia?
No entanto, as mulheres já não dizem o mesmo...
Segundo um estudo do Reino Unido, as mulheres não andam de bicicleta pois não podem chegar ao trabalho todas suadas.
(O estudo, claro, não é meu. É de alguém, e está apresentado neste belo e cativante sítio da internet.)
É, sem dúvida, um bom motivo.
Eu próprio defendo isso também. Mulheres suadas a trabalhar, não, por favor.
Mas... Não será possível andar de bicicleta sem suar?
Azar o nosso, bolas. Moramos todos no fundo do vale, e o nosso escritório fica sempre no cume da montanha ali ao lado.
O que eu acho é que as mulheres britânicas não gostam de bicicletas.
Mas a bicicleta é um veículo simpático, acreditem!
Vamos ali de cabelos ao vento e tal...
Ah, bolas... Esqueçam, mulheres. Outro dos motivos apresentados pelas senhoras britânicas para não andarem de bicicleta é o facto de o capacete de segurança lhes estragar o penteado.
O que é estranho, se pensarmos em Paula Bobone, por exemplo.
O próprio cabelo de Bobone parece um capacete. Não percebo qual é o problema.
Mas sim, o penteado é uma coisa importante.
Houvessem bicicletas com um secador de cabeleireiro e um sofá para nos sentarmos e as mulheres já deixavam o carro em casa.
No entanto, 19% das inquiridas neste estudo afirma que não podem ir para o emprego de bicicleta pois não podem correr o risco de serem vistas pelos seus colegas sem maquilhagem.
E penso que os colegas delas agradecem.
Pois se dependem assim tanto da maquilhagem para parecerem bem, os colegas delas não devem desejar ver a cara real delas.
Mas se forem a Lili Caneças... Nesse caso, não se incomodem. São feias de qualquer forma.
Ao longo de largos meses tenho levantado esta questão junto de muitos amigos: Qual é a melhor profissão do mundo?
Muitos serão aqueles que me lêem que poderão achar que a existência da People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) é, por si só, idiota.
Longe vão os tempos da expressão "desde que vi um porco a andar de bicicleta que já acredito em tudo".
Caros leitores, sabiam que o dia de amanhã será histórico?
Apraz-me encetar o presente artigo asseverando-vos que sustento um singular fascínio pela nossa língua.
Sento-me em frente ao computador, abro o site de gestão deste singelo blog, carrego no link que diz "Novo Post" e penso para mim: Está na hora de trabalhar.