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há Dias assim...

Há dias históricos, banais, marcantes, deprimentes, excelentes, maus, magníficos, secantes, fantásticos, desinteressantes e, quiçá, bons. E depois também há Dias assim... Se gosta de Dias assim, parabéns. Está no blog certo.

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há Dias assim...

26
Ago07

Os radares também são assunto quente.

delta_unit

Fernando Penim Redondo (FPR) comentou o meu artigo "Opiniões", onde comentei um artigo de opinião de João Miguel Tavares acerca dos radares de Lisboa.

Nesse artigo, FPR despediu-se dizendo que já conduz à 43 anos e que já fez cerca de um milhão de quilómetros pelo mundo inteiro.

Reparo, no entanto, que por passar tanto tempo a conduzir, não deve ter muito tempo para escrever... Digo isto porque o seu comentário não é uma resposta directa ao que escrevi, mas sim a cópia de um artigo que escreveu no seu blog (Clica aqui para veres o artigo.)

Isto demonstra que esta gente que só sabe defender de forma descontrolada a destruição dos radares de controlo da velocidade, em vez de debater as ideias dos outros de forma humana. Aposto que nem leu o meu artigo! Viu que o tema era "Radares de Lisboa" e pimba, toca a colar a cópia do artigo dele!

Mas não vou entrar por aí...

 

FPR abre o seu artigo/comentário com uma observação profunda:

"A Petição aproxima-se paulatinamente das 8.000 assinaturas e estamos em pleno Agosto. Só um “cego” não vê o significado que isso tem."

Bem visto, caro FPR! Mas repare: A 15 de Agosto de 2007 já tinham sido detectados 63.000 condutores em excesso de velocidade (Li estes dados no Correio da Manhã e está aqui a notícia, para todos os efeitos). Assim sendo, fazendo uma análise matemática, apenas 12,7% dos infractores assinaram a petição. "Só um "cego" não vê o significado que isso tem."

Por outro lado, vi há tempos na televisão que a sinistralidade nas estradas da capital diminuiu com a instalação dos radares. Caro FPR, "Só um "cego" não vê o significado que isso tem."

FPR continua o seu artigo:

"A Petição tem incomodado algumas pessoas. São os fundamentalistas do trânsito e pertencem a diferentes categorias."

Antes de mais, a petição não me incomoda. Ainda assim, o rótulo de "fundamentalista do trânsito" fica-me bem. Sinto-me bem com ele! Não há um tamanho assim mais pequeno para eu por na testa?

Mas FPR, no seu alto pedestal, decide dividir esses ignorantes "fundamentalistas do trânsito" em categorias, como se estivesse a falar de atletismo.

"- Os que foram afectadas por algum acidente e que, compreensivelmente, ficaram traumatizados. É pena que uma parte dessas pessoas pareça ter dirigido as suas energias não para resolver os problemas mas para castigar a sociedade."

Calma lá! Querem ver que quem teve um acidente não aprendeu que talvez esse acidente se deveu ao excesso de velocidade? Será que usar essa aprendizagem para apelar a uma condução responsável e assim evitar acidentes é castigar a sociedade? Defina-me "castigo", caro FPR.

"- Os que sonham com um mundo idílico onde só haveria peões e, talvez, bicicletas. Como se trata de uma utopia, que as pessoas crescidas não adoptam, tentam chegar ao mesmo resultado criando toda a espécie de empecilhos aos odiados automobilistas."

Impor uma velocidade máxima de circulação de veículos é, para FPR, criar um empecilho ao automobilista. Eu não acho. Penso que com isso estamos a regular a utilização de um espaço (a estrada) que é público. Sim, público. A estrada não pertence ao Sócrates, ao Cavaco ou ao senhor FPR! A estrada é de todos nós e todos nós temos o direito de a utilizar em segurança, sem sermos abalroados por outros condutores. Mas isto sou que, democraticamente, acho. O caro FPR deve ter outra opinião. Explique-a, já agora.

"- Os que têm da vida em sociedade uma visão burocrática e legalista. Essas pessoas têm dificuldade em perceber que há uma diferença entre a velocidade máxima legalmente permitida e a velocidade máxima para circular em segurança nas situações concretas do dia-a-dia. Que só esporádicamente a velocidade máxima estabelecida por lei pode ser usada, com razoabilidade, na vida prática."

Secalhar eu estou neste lote. É capaz de ser uma visão burocrática e legalista querer ter uma estrada segura para todos. Agora, caro FPR, eu sou relativamente novo (O senhor conduz à mais tempo que o dobro da minha idade!), mas estou convicto de uma coisa: o cálculo das velocidades máximas não deve ter sido uma coisa aleatória. Eu acredito que os limites de velocidade são os que nós, encartados, conhecemos porque pessoas acreditadas, com conhecimentos sobre mecânica ou sobre as capacidades intelectuais do ser humano (ao nível de tempos de reacção, perda de reflexos com o aumento da velocidade, etc...) concluiram que estes eram os limites máximos aceitáveis para uma convivência segura nas estradas.

"Como o objectivo é castigar a sociedade é preciso transformar cada cidadão num assassino disfarçado.A maneira mais fácil de o conseguir é estabelecer padrões de comportamento, por exemplo com os limites de velocidade, quase impossíveis de cumprir."

Castigar a sociedade? Castigo é ter de estar parado durante duas horas na Segunda Circular porque um "chico esperto" qualquer achou que o limite de 80 km/h era uma estupidez e que, ao ir à sua velocidade de segurança, teve um acidente. Ou, pior que isso, perder familiares por culpa de condutores irresponsáveis que não sabem cumprir limites de velocidade. Isso sim, é castigar a sociedade!

Caro FPR: Se for a http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal e vir bem, o nosso sistema político não é a anarquia. Como tal, estabelecer padrões de comportamento em situações como a condução, onde a vida dos cidadãos está sempre em jogo, não me parece uma forma de tornar cada cidadão num assassino.

"Mas os milhões de cidadãos que todos os dias desrespeitam os limites legais de velocidade não são, na sua esmagadora maioria, nem “street racers” nem irresponsáveis. São pessoas normais que trabalham; que precisam de chegar ao emprego a horas; que têm em casa, à espera, os velhos ou as crianças; que tentam chegar ao infantário antes que feche; que trabalharam demasiadas horas e já estiveram em demasiados engarrafamentos. Estes é que são os criminosos que se devem perseguir ?"

Eu também conduzo, ainda que há pouco tempo. Mas digo-lhe, caro FPR: também tenho a minha vida. Também tenho de chegar a horas ao comboio, também tenho casa, também tenho pessoas à minha espera em casa... Mas (não querendo dizer-lhe que sou "O Exemplo") digo-lhe que procuro sempre respeitar os limites de velocidade e costumo, curiosamente, chegar a horas.

O português é que é assim: o tempo é muito, pode ficar mais um bocadito na cama... Depois levanta-se e repara que secalhar está em cima da hora. Não há problema: encurta-se o tempo de viagem, indo a velocidades não permitidas, e tudo fica bem.

"Invocam irresponsavelmente as guerras civis mas omitem que os 850 mortos que ocorrem durante um ano nas estradas portugueses são um número atingido em questão de dias, por exemplo nos atentados do Iraque ou mesmo nos homicídios da Venezuela. Se isto não é manipulação..."

Não. Manipulação, caro FPR, é comparar as mortes consequentes de instabilidades políticas ou sociais noutros países com as mortes que ocorrem num espaço público, regulado, que são consequência do desrespeito das regras de circulação com as quais cada condutor se comprometeu ao tirar a carta de condução.

"A tal “guerra civil nas estradas” muitas vezes caracterizada como “de todos contra todos” induz a ideia de intencionalidade."

Ah, não. Eu passei a 176 km/h na Segunda Circular, mas foi sem querer... Não tinha qualquer intenção mesmo!

 

Depois desta análise, FPR apresenta-nos medidas alternativas para o combate à sinistralidade rodoviária.

"- Abandonar o catastrofismo e as abordagens emocionais e tratar do problema de acordo com a sua verdadeira dimensão."

Perdoe-me as consequências da leve formação no mundo da Matemática, mas "tratar o problema de acordo com a sua verdadeira dimensão" é analisar os números da sinistralidade e tirar conclusões! Porquê é que o FPR não faz isso?

"As fortunas que se têm gasto numa prevenção rodoviária mal perspectivada teriam, provavelmente, salvo muito mais vidas em campanhas de prevenção do cancro ou das doenças vasculares/cerebrais, que matam mais de 40.000 pessoas todos os anos."

Caro FPR, relativamente a isto, faço minhas as suas palavras: "Se isto não é manipulação..."

Depois, mais uma medida alternativa:

"- Adoptar uma política de pontuação individual dos condutores, que parece estar a resultar em Espanha, baseada na penalização das manobras perigosas e do consumo de álcool e drogas em vez de privilegiar o incumprimento dos limites abstractos de velocidade."

Aqui, eu concordo consigo até ao "em vez de privilegiar o incumprimento dos limites abstractos de velocidade."

"- Ouvir o que pensa a generalidade dos cidadãos em vez de os tratar como delinquentes.
Se os cidadãos são suficientemente responsáveis para eleger o Presidente e a Assembleia da República também são responsáveis nas questões do trânsito. Se assim não fosse teríamos que concluir que as leis do trânsito não são legitimas pois foram feitas pelos eleitos do povo.
"

Não quero por a sua experiência de vida em causa, mas já agora dê um pulinho a um dicionário de língua portuguesa e veja o significado da palavra "demagogia". Depois pense um pouco nesta sua proposta...

 

Conduzo à menos de um ano, ainda não devo ter chegado aos três mil quilómetros de estrada. Mas estou convicto que é cumprindo as regras de trânsito que as estradas se tornam seguras para todos nós.

Se tem uma opinião diferente, explique-a de forma coerente e responsável.

7 comentários

  • Imagem de perfil

    delta_unit 27.08.2007

    Este Zé é mesmo da burra e aparenta assentar naquele estereótipo do alentejano (Não que eu concorde com esse estereótipo). Uma vez mais, apresenta o mesmo comentário que já apresentou noutros blogs e no artigo "Opiniões" que escrevi há tempos...
    É mais um spammer viciado, que não responde directamente aos argumentos dos outros, talvez porque não saiba bem como refutá-los.
    Mas tudo bem, eu durmo descansado à mesma.
  • Sem imagem de perfil

    Zé da Burra o dito 27.08.2007

    A questão dos radares é sempre a mesma, por isso a resposta tem que ser sempre igual, da mesma forma que 2 x 2 são sempre 4, até que alguém prove o contrário. É isso que esperaria de qualquer resposta ao meu comentário: refute os meus argumentos!
    Zé da Burra o Alentejano
  • Imagem de perfil

    delta_unit 27.08.2007

    Caro Zé da Burra

    Estou em querer que o ensino secundário em Portugal se encontra relativamente uniformizado e que no Alentejo também se ensina Filosofia. Digo-o porque tenho amigos alentejanos que sabem discutir assuntos de forma correcta. O amigo Zé da Burra, não obstante, não se inclui nesse grupo.
    Queira entender que tudo tem a sua ordem: Eu escrevi um artigo onde critiquei a opinião de João Miguel Tavares, colunista do DN. Como comentário a essa minha crítica, o senhor Ze da Burra colou um texto onde apresenta argumentos a favor da remoção dos radares, ignorando os argumentos que eu escrevi antes.
    Agora, neste artigo onde eu comento um outro escrito por Fernando Penim Redondo, o senhor Ze da Burra volta a colar esse mesmo texto, ignorando os meus argumentos.
    Em Filosofia, aprendi que para refutar uma teoria, devo demonstrar as fragilidades dos argumentos que o outro interveniente me apresenta e depois apresentar os meus de forma coerente. Foi o que tentei fazer nos dois artigos que já escrevi.
    Se o senhor Ze da Burra vem à zona de comentários e, sem demonstrar as fragilidades dos meus argumentos, atira os seus para o monte, sugiro-lhe que volte às aulas de Filosofia do 10º ano (Convém dizê-lo: eu não tenho formação em letras, pelo que o domínio da Filosofia não me é assim tão familiar).

    Depois disso e depois de me demonstrar que os meus argumentos não são válidos, então sim eu darei atenção aos seus e responder-lhe-ei condignamente.

    Até lá, deixe-me dizê-lo: Eu nem sequer li o seu comentário todo!
  • Sem imagem de perfil

    Zé da Burra... 27.08.2007

    Não perco tempo com retóricas não objectivas e que que não tenham a vêr com o assunto em questão: OS RADARES DE LISBOA ESTÃO BEM OU MAL COLOCADOS?
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    delta_unit 27.08.2007

    Enquanto não me explicar que a existência dos radares em Lisboa é essencial (Ou seja, "mandar a baixo" a minha teoria, explanada em dois artigos deste blog), não vou perder o meu tempo a explicar-lhe o que acho sobre a localização dos mesmos...
  • Sem imagem de perfil

    Zé da Burra... 27.08.2007

    Não sou contra a existência de controlos de velocidade e estes até avisam antes o automobilista que está prestes a cometer uma infracção. O problema é que todos os locais escolhidos foram - quanto a mim - aqueles que poderiam ter velocidades superiores.

    Controlem as velocidades na malha apertada nas ruas dos bairros da cidade e em vez das vias centrais das avenidas, controlem as velocidades nas vias paralelas de entrada e saída nas vias centrais, as quais reafirmo têm em geral faixas separadas e cruzamentos desnivelados.

    50 Km na extensão da Av. EUA é mesmo absurdo!
    Você sabe que na Radial de Benfica estava também prevista a velocidade de 50 Km? Agradeço que me expliquem porque é que na Radial da Buraca o limite ficou nos 80 km e não 100 Km como na IC19.

    Zé da Burra...
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