Para ofender Ferreira Leite, chamem-lhe coerente.
O insulto não é, de todo, um acto de fácil execução.
Muitas são as pessoas que querem a todo o custo insultar os outros e acabam na miséria, na pobreza de um "estúpido", na complexidade vazia de um "néscio" ou na simplicidade do "isso é pura demagogia".
Porque insultar como deve ser não passa por sair à rua a chamar José Castelo Branco a toda a gente. É algo mais que isso!
Convenhamos: quem apelidar Carlos Castro de Castelo Branco não o está a insultar.
Isso, para Carlos Castro, até pode ser uma espécie de elogio!
Ou seja, no momento do insulto, o que interessa é chamar à outra pessoa algo que ela não é.
Um bom exemplo de tentativa de insulto vem nesta bonita história, com origem na cidade de Lugoff, na Carolina do Sul. (Estados Unidos, claro. E o link está aqui.)
Bill McGee viu o seu jardim ser vandalizado e, por suspeitar que a culpa de tal acto é de um vizinho, decidiu colocar na rua um sinal, apontado à casa desse vizinho, a dizer "Traficantes de droga, ladrões e vândalos".
Será que resultou? Não. Na verdade, o seu vizinho é um vândalo.
Isto não é um insulto, caro McGee!
Mas a ideia é gira: sempre que um vizinho nos fizer mal, apontamos-lhe uma placa a atribuir-lhe adjectivos socialmente condenáveis.
Se todos pensarmos assim, dentro de tempos a Quinta da Fonte estará cheia de sinais assinalando a presença de traficantes de armas e droga, ladrões, vândalos, líderes de gangues e, claro, cantores de hip-hop.
Isso não é, de todo, uma ofensa. É apenas a constatação da realidade.
No caso de Bill McGee, seria ofensa se ele apontasse uma placa a dizer "Bom vizinho, a sério".
Até porque estaria cheio de ironia (a arma perfeita no momento do insulto).
Já na Quinta da Fonte, a ofensa passaria por colocar uma qualquer placa que tivesse tudo menos "selva".
